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Dona de seu tempo

Dona de seu tempo

Vera Lúcia Rodrigues Branco

Fascinada pelo mundo da leitura, Vera Lúcia Rodrigues Branco adora aprender.  Seus pais, Renê Rodrigues e Antônio Rodrigues (in memorian), estudaram pouco, não completaram nem o primeiro grau, mas a herança para as 4 filhas, das quais é a primogênita, foi, sem dúvida, a educação.

“Eles nos ensinavam tudo. Escreviam e liam muito bem e sempre privilegiavam nossos estudos.  Estudamos no Carequinha, Santa Clara e Dom Amando”, conta. Aos 16 anos de idade prestou o vestibular e passou para o curso de psicologia, segunda turma da Universidade Federal do Pará (UFPA). Foi a mais nova estudante a passar no vestibular, em 1975. O radialista Ednaldo Mota ficava divulgando o fato com orgulho. Santarém ia ganhar uma psicóloga. “Eu comecei a ler sobre a psicologia do desenvolvimento do bebê e sobre o ser humano. Aquilo me encantava. Eu nunca tive nenhuma dúvida sobre o que eu queria e até hoje não me arrependi. Ao contrário, quanto mais você conhece a psicologia, mais você se envolve, mais você se encanta”.

Nessa época, já namorava com Roberto Branco. Ela com 16 anos e ele com 17. Os dois fizeram vestibular, passaram, casaram e tiveram 3 filhos. Começou a trabalhar bem nova no Detran, após um concurso para estagiária do setor de psicologia, em Belém, em 1979. Posteriormente passou a integrar o primeiro quadro de psicólogas da Instituição. Em 1997, o Detran terceirizou esse serviço e, junto com o amigo Aluízio Maciel, pediu redistribuição para a Sespa, para então montar, em Santarém, uma das quatro clínicas especializadas em Psicologia no Trânsito, no Pará, cumprindo, inclusive, a exigência de se especializar em Psicologia do Trânsito pela UFPA.

Na Sespa atuava na área da Psicologia Clínica, sendo a única psicóloga a dar suporte aos programas de atendimento multiprofissional da Unidade de Referência de Especialidades (URES).

Atuava simultaneamente como psicóloga autônoma na área de Psicologia Organizacional, Seleção de Pessoas e Avaliação de Potencial, prestando serviços à Embratel, Correios, Infraero, Mineração Rio do Norte e Celpa. Por gostar da área de gestão de pessoas, Vera Branco fez o MBA em Gestão Empresarial pela FGV e o Mestrado em Gestão do Desenvolvimento e Cooperação Internacional na Universidade Moderna de Lisboa, em Portugal. “Nunca tive a intenção de ser professora, eu queria ser psicóloga. Eu dizia que não queria ser professora, porque não tinha paciência, embora os professores do mestrado e a direção da Fundação Esperança afirmassem que eu tinha potencial e perfil de educadora. Eu fiz o mestrado porque eu sempre fui ávida por aprender. No entanto, fui imposta a um desafio de assumir uma disciplina da pós-graduação, quando ainda não existia IESPES, em uma parceria da Fundação Esperança com a Universidade Estadual da Paraíba [UFPB]. A partir daí me descobri viciada em sala de aula, em docência, em pesquisas. Eu participei das reuniões e da elaboração do projeto pedagógico do Iespes e ministrei aulas de psicologia para os cursos de Administração, Jornalismo, Publicidade e Mídia, Enfermagem, Jogos de Negócios, Gestão de Pessoas, Comunicação e Negociação para vários cursos, inclusive pós-graduação”.

Vera Branco tem vários trabalhos publicados em Congressos Nacionais e Internacionais, ganhou vários prêmios, juntamente com sua equipe de pesquisa e hoje atua, prioritariamente, na área da psicologia do trânsito. Ela e seu sócio contam com duas clínicas, uma em Santarém e uma filial em Tucuruí, onde têm como objetivo principal oferecer um atendimento dentro dos princípios éticos e de qualidade.

Hoje as responsabilidades são maiores, mas Vera Branco é mais dona do seu tempo. Aposentada desde 2012 da Sespa, hoje sua prioridade é a clínica de psicologia. “Os problemas e as responsabilidades aumentaram. Tenho vários funcionários e problemas gigantes. Tenho que conciliar todos os compromissos profissionais com a minha família, que é essencial para mim. Tenho dois netos, e meus filhos e noras sempre que podem estão comigo.  Deus também é prioridade na minha vida, eu e meu esposo somos cursilhistas e também fazemos parte do ECC (Encontro de Casais com Cristo). Meu tempo é corrido, mas como psicóloga, apaixonada pelo ser humano, gosto de escutar as pessoas, afinal, às vezes, tudo o que a pessoa precisa é de alguém que te escute. Às vezes basta abrir a alma e o coração, poder falar e saber que alguém te entende”, enfatizou.

 

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